"O FADO"

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Acerca de mim

A minha fotografia
Lisboa, Estremadura, Portugal
De mim dizem muita coisa... Tudo inventado,porque ninguém sabe ao certo, dado que não falam todos da mesma maneira. Uns dizem que vim do Brasil, outros dizem que vim de África. Porque haveria eu de vir de algum lado? Mania de portugueses, que o que vem de fora é que é bom!!!

25/02/2011

Balão de Menino

António Reisinho - Fernando Machado

Quem me dera ser menino
E novamente brincar
Com o balão pequenino
Sem ver a vida voar
Por um cordel entre os dedos
E soltar o meu balão
Para o céu dos meus brinquedos
Onde mora a ilusão

Balão, balão,

Oh meu balão de menino
Na mão, na mão

De quem não sabe o destino
Balão, balão

Oh meu balão de brincar
Na mão na mão

De quem viveu a sonhar

Quem me dera reviver

Toda a minha mocidade
E num sonho desprender
O meu balão de saudade
E ser aquela criança
E jardim dos meus folguedos
A sorrir de ver a esperança
Ser o céu dos meus brinquedos

Balão, balão...

22/02/2011

Viram por ai o Fado

Joaquim Frederico de Brito / Armando Machado
*
Perdão, façam favor de me dizer
Se viram por ai o velho fado
Um tipo da boémia e do prazer
Assim um tudo ou nada já cansado

Vestia calça estreita, uma samarra
Chapéu à Marialva e bota branca
Eu vinha cá trazer-lhe uma guitarra
P'ra 'inda irmos hoje a Vila Franca

Pois eu, já percorri
Alfama inteira e não o vi
Subi ao Bairro Alto
E ao Charquinho dei um salto
Já fui à Madragoa
Já corri meia Lisboa
Ainda se calhar
Bato p'ró “Ferro de Engomar”

Pois bem; vou até à Mouraria
Que tristonha e que sombria
A Moirama está agora
E ali, nas vielas do passado
Já ninguém conhece o Fado
Ninguém sabe onde ele mora

Eu tinha combinado ir hoje aos toiros
Os dois, eu mais o Fado, ir de Tipóia
O nosso batedor o “Mata Moiros”
Levava-nos à noite p'rá ramboia

Cear no “Bacalhau” como é costume
Ali de canjirão, a banza ao lado
O Fado que anda cheio de ciúme
Faltou-me desta vez ao combinado

16/02/2011

Que Deus me perdoe

Silva Tavares / Frederico Valério
*
Se a minha alma fechada
Se pudesse mostrar
E o que eu sofro calada
Se pudesse contar
Toda a gente veria
Quanto sou desgraçada
Quanto finjo alegria
Quanto choro a cantar

Que Deus me perdoe
Se é crime ou pecado
Mas eu sou assim
E fugindo ao fado,
Fugia de mim
Cantando dou brado
E nada me dói
Se é pois um pecado
Ter amor ao fado
Que Deus me perdoe

Quanto canto não penso
No que a vida é de má,
Nem sequer me pertenço,
Nem o mal se me dá
Chego a crer na verdade
E a sonhar, sonho imenso
Que tudo é felicidade
E tristeza não há

Rua do Capelão

Júlio Dantas / Frederico de Freitas

Ó rua do Capelão
Juncada de rosmaninho
Se o meu amor vier cedinho
Eu beijo as pedras do chão
Que ele pisar no caminho

Tenho um degrau no meu leito,
Que é feito pra ti somente
Meu amor sobe-o com jeito
Se o meu coração te sente
Fica-me aos saltos no peito

Tenho o destino marcado
Desde a hora em que te vi
Ó meu cigano adorado
Viver abraçada ao fado
Morrer abraçada a ti

Saudades do Brasil em Portugal

Vinícius de Morais / Homem Cristo
*
O sal
Das minhas lágrimas de amor
Criou o mar
Que existe entre nós dois
P'ra nos unir e separar

Pudesse eu te dizer
A dor que dói dentro de mim
Que mói meu coração
Nesta paixão
Que não tem fim
Ausência tão cruel
Saudade tão fatal
Saudades do Brasil em Portugal

Meu bem
Sempre que ouvires um lamento
Crescer desolador na voz do vento
Sou eu em solidão pensando em ti
Chorando todo o tempo que perdi

Valeu a pena

Moniz Pereira

Com voz serena
Perguntaram-me ao ouvido
Valeu a pena
Vir ao mundo ter nascido
Com lealdade
Vou responder, mas primeiro
Consultei meu travesseiro
Sobre a verdade
Tive porém,
Que lembrar o meu passado
Horas boas do meu fado
E as más também

Refrão

Valeu a pena
Ter vivido o que vivi
Valeu a pena
Ter sofrido o que sofri
Valeu a pena
Ter amado quem amei
Ter beijado quem beijei
Valeu a pena

Valeu a pena
Ter sonhado o que sonhei
Valeu a pena
Ter passado o que passei
Valeu a pena
Conhecer quem conheci
Ter sentido o que senti
Valeu a pena
Valeu a pena
Ter cantado o que cantei
Ter chorado o que chorei
Valeu a pena

Refrão

Valeu a pena
Ter vivido o que vivi...